“Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio”Martin Luther King.
Quem não conhece a Bíblia pensa que ela apenas fala de “coisas religiosas” e que ela não está interessada nas coisas deste mundo ou do nosso dia a dia. Esse é um engano terrível que algumas pessoas querem perpetuar com palavras de ordem tais como: “religião é para dentro da igreja”; “religião e política não se misturam”; “religião e futebol não se discutem”. Ora, isso é uma tremenda balela e uma grande mentira de satanás. O que se pretende dizer é mais ou menos isso: “Quem é religioso cuide das coisas de Deus e nós que somos políticos ou empresários cuidamos das outras coisas. Elas não se misturam”.
Que coisa mais absurda! A Bíblia não conhece nenhuma divisão no ser humano. Em um lugar ele é religioso, mas quando sai daquele lugar ele pode ser o quiser sem a que a religião possa lhe dizer qualquer coisa! Estava certo Mahatma Gandhi quando disse: “Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível”.
Aqui no Brasil, para muitos, essa frase de Gandhi é quase uma heresia. Eu acho inadmissível que nesse Brasil as coisas funcionem com essas categorias dicotomizadas. Veja você que o Brasil é considerado um país essencialmente cristão, povoado por Católicos e Evangélicos. Se esse é um país cristão, logo a Bíblia é o livro que deveria reger a conduta, a ética, os princípios e os valores da nossa gente. Como os políticos e outros poderosos raramente lêem a Bíblia, cabe a igreja dizer a eles a respeito da vontade de Deus. Cabe a igreja pregar contra os desmandos, contra o roubo e contra a corrupção que grassa a nação.
Agora, quando isso acontece o que é que ouvimos? “Lugar de religião é na igreja”, “a igreja tem que trazer consolo para os aflitos”, e a ladainha vai por ai afora. É hora de a igreja colocar para fora a sua voz profética e anunciar não somente a bondade de Deus, mas também a sua severidade e o seu julgamento. Não dá mais para agüentar tamanho cinismo dos nossos políticos. Não são eles também freqüentadores de igreja? Quando vão na igreja o que é que aprendem? E se aprendem quando é que vão colocar em prática?
Todos nós compareceremos diante do tribunal de Deus e naquela hora ninguém vai poder dizer: “Mas, Senhor, tudo isso que eu fiz foi fora da igreja, foi na minha vida secular, foi no mundo”.
É tarde!
Antonio Carlos Barro - Provóice












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