Arquivo De Postagens

O único problema entre um fundamentalista-mesmo e eu, por exemplo, é que ele crê literalmente no nascimento virginal; de que Deus virou homem; de que Deus que ficou no céu, mesmo estando na terra em forma de homem, exigia um sacrifício pelo pecado Dele-mesmo-Homem; que quando Deus-homem morreu na cruz, aquilo ali era um sacrifício para o Deus-Deus no céu, etc. etc.

E eles crêem nisso, literalmente, sem nenhuma possibilidade de questionamento, já que os tais têm um grande pavor de questionar o que crêem e de repente se verem diante de surpresas nada agradáveis para o seu seguro de vida espiritual.

E não estou dizendo que eles deveriam questionar o que crêem, estou falando em tese. Esta crença na literalidade do evento Jesus, produz um tipo de vida espiritual. A vida que emerge desse poderoso Deus-homem nazareno.

E eu não creio (e aqui não estou falando mal de quem crê) na literalidade de tais eventos, mas, acredito que Jesus foi tão espetacularmente singular, que o mistificaram. Que fique claro que não estou dizendo que ele não entregou sua vida na cruz pelo seu projeto de redenção.

Não poderia ser diferente. Todo homem/mulher que de alguma forma abalou as extruturas sociais, políticas ou religiosas do seu tempo foram mistificados. Tais seres iluminados foram tão "mais" do que a média, que falar deles somente o real, não diz tudo deles, daí, precisa-se da mistificação. Isso pode ser bom ou péssimo.

No caso de Jesus, acredito que foi bom, pois criou-se o Homem-Deus ou o Deus-Homem, como preferirem, e creio mesmo que tal designação é bem adequada a Jesus(apesar de eu preferir Jesus-divino e não Jesus-Deus). E o que essa crença provoca, é essa fé que vem das entranhas do ser e que faz toda a diferença.

Mas...

E aí, o que os fundamentalistas-mesmo não entendem, é que essa mesma fé avassaladora, que rasga teu íntimo e te lança no abismo das impossibilidades que eles têm, também eu a tenho. Somente o processo de chegar até ela é diferente. Mas o importante mesmo é a fé, não o caminho para se chegar a ela.

Jesus é Deus - amém, eles assim crêem e possuem essa fé que vem lá de dentro; Jesus não é Deus - amém, isso não me impede de transbordar essencialmente, a mesmíssima fé.

Mas é claro que eles não nos dão o direito de ter a mesma fé que eles. Não me refiro à fé em um dogma, mas fé na vida, fé no símbolo poderoso de Jesus-Deus-Messias, que quando crido, literalmente ou como símbolo, produz essa fé que irrompe e que dá vida. Vida em abundância.

por Eduardo Medeiros

Sala do pensamento


Comments

0 Response to 'Caminhos diferentes para a mesma fé'

Seguidores